


O presente trabalho refere-se à tecnologia de aplicação de zinco e cobre na envolvente exterior de edifícios. Para este efeito foi efetuada uma pesquisa bibliográfica assente, na sua maioria, em normas técnicas e publicações editadas por produtores e aplicadores destes dois materiais.
Procurou-se enquadrar algumas soluções que são comuns noutros países da Europa, principalmente França e Alemanha, com as práticas e legislação existente em Portugal. A abordagem inicia-se com uma breve referência histórica sobre os metais não ferrosos ao longo do tempo, sua descoberta e evolução até à atualidade. A indicação das suas principais características, fabrico e transformação, são um dado importante para se perceber o seu comportamento quando aplicado em obra.
O tema da tecnologia de aplicação na envolvente exterior de edifícios, surge associada a coberturas e fachadas. São referidos os princípios básicos para aplicação dos sistemas em edifícios, destacando-se as pendentes, compatibilidade com outros materiais, formas de fixação, relação com escoamento de águas pluviais, isolamento térmico, comportamento físico e mecânico. O trabalho inclui o estudo de um dos sistemas de revestimento mais usual em Portugal, sistema de Junta Agrafada, incluindo indicações sobre comprimentos e larguras admissíveis, dimensionamento de fixações, montagem em obra e pormenores construtivos.
Na parte final do trabalho são referidas as vantagens no uso destes sistemas na recuperação e reabilitação de edifício, assim como uma breve exposição dos custos envolvidos no uso destes materiais no revestimento da envolvente exterior dos edifícios.

Os primeiros ornamentos de zinco conhecidos datam de há 2500 anos. A sua análise permite concluir que são bastante impuros, uma vez que o zinco corresponde apenas a 80 a 90 % da sua composição. Consideram-se estes achados arqueológicos como ligas de zinco com chumbo, contendo impurezas de ferro e antimónio. Nessa época o zinco era sempre combinado com outros elementos, formando ligas, com o cobre por exemplo, obtendo-se assim o latão. Estas ligas metálicas foram utilizadas durante séculos.
Há achados de latão que datam de 1000-1400 a.C. que foram encontrados na Palestina e Transilvânia. Devido ao seu baixo ponto de fusão e reatividade química, o metal tende a evaporar-se levando a que nessa altura a verdadeira natureza do zinco não tenha sido compreendida.
O fabrico do latão foi dominado pelos Romanos desde 30 a.C.. Este processo era descrito pela obtenção de aurichalum (latão) através do aquecimento num cadinho de uma mistura de cadmia (calamina) com cobre. O material obtido era posteriormente fundido ou forjado para fabrico de objetos.
Em 1374 o zinco foi reconhecido na Índia como um novo metal – o oitavo metal conhecido pelo homem até essa data. Em Zawar, Índia, o zinco, usado como metal, e o óxido de zinco, usado em medicamentos, foram produzidos entre os séculos XII e XVI. Na Europa só no século XVI o zinco é considerado um metal [13]. Após vários séculos de uso no fabrico de bronze, são efetuadas descobertas que permitem indicar o zinco como um 5 elemento com características diferentes de outros metais.
Giorgios Agrícola, considerado o pai da geologia como ciência, observou, em 1546, que se formava um metal branco prateado condensado nas paredes dos fornos nos quais se fundiam minerais de zinco, assinalando nos seus estudos que um metal similar, denominado zincum, era produzido na Silésia. Paracelso, médico dedicado à física, astrologia e alquimia, foi o primeiro a sugerir que o zincum, era um novo metal e que as suas propriedades eram diferentes dos metais conhecidos, sem, no entanto, dar indicação sobre a sua origem. Em documentos, tratados e estudos posteriores, são frequentes as referências ao zinco.
Em 1743 foi fundado em Bristol, Grã-Bretanha, o primeiro estabelecimento para a fundição do metal em escala industrial. Este acontecimento fez com que o interesse pela produção de metais em grande quantidade tivesse um novo impulso. A sua produção já não era vista como algo rudimentar, com fornos básicos e de baixa capacidade.
Em 1746, o químico Andreas Sigismund Marggraf, isolou o elemento zinco através da redução da calamina com carvão vegetal. No que diz respeito à produção e transformação dos metais, em geral, mas em particular o zinco, a evolução das técnicas de produção foi lenta. A produção aumenta com melhorias introduzidas na linha de fabrico. Até ao século XIX, o zinco é muito utilizado sob a forma de liga, combinando-se com o cobre para formar o latão, ou juntando o cobre com o estanho, para formar o bronze. Cada metal ou liga, tem as suas vantagens e aplicações próprias. O latão, por exemplo, é apreciado pela resistência à oxidação, facilidade com que é trabalhado e o seu aspeto brilhante. A metalurgia do bronze e do latão desenvolve-se no centro da Europa, na zona que hoje é ocupada pela Bélgica, desde a época celta.
O nascimento de uma indústria de metais não-ferrosos, no centro da Europa, está ligado à existência de jazidas metalíferas (há importantes jazidas de chumbo e zinco concentradas 6 na região de Vesdre na Bélgica). Estima-se que, apenas no distrito de Vesdre, extraiu-se, ao longo dos séculos, aproximadamente 1 100 000 toneladas de zinco metal e 130 000 toneladas de chumbo. Outros metais estão presentes nas zonas vizinhas. Ainda que numerosas, as jazidas existentes na Europa eram, em geral, bastante limitadas. Mas foram valorizadas desde cedo e desempenharam um papel importante no desenvolvimento económico da região. No início do século XIX, Jean-Jaques Daniel Dony (Figura 1) [20] desenvolveu um procedimento industrial para a extração do metal, construindo-se a primeira fábrica no continente Europeu.
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1 Comment
É bom olhar para o trabalho profissional.